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Sexta-feira, Novembro 28, 2003

picture borrowed from corbis.com. don't sue me, i am a very poor individual

Tequila

by Alvaro Mutis, translated by Forrest Gander

-for María and Juan Palomar

Tequila is a clean flame that clambers up the walls
and shoots over tiled roofs, relief to despair.
Tequila isn't for sailors
because it blurs the navigational instruments
and dismisses the wind's tacit orders.
But tequila, on the other hand, enraptures those returning by train
and those driving the train, because it stays faithful
and blind in its loyalty to the rails' parallel delirium
and to hurried greetings in the stations
where the train pauses to testify to
its inscrutable destination, errant, subject to the inevitable laws.
There are trees under whose shadow it is wonderful to drink it
with the parsimony of those who preach in wind
and other trees where tequila can't stand the shade
that dims its powers and in whose branches it stirs up
a flower blue as the warnings on bottles of poison.
When tequila waves its fringed, serrated flag,
the battle halts and armies return
the order they intended to impose.
Often two squires accompany it: salt and lime.
But it is always ready to start the conversation
without any more help than its lustrous clarity.
From the start, tequila doesn't recognize borders.
But there are propitious climates
just as certain hours suggest it, knowing full well: to fix
the time when night arrives at its stores,
in the splendor of an afternoon without obligations,
in the highest pitch of doubt and hesitation.
It is then when tequila offers us its consoling lesson,
its infallible joy, its unreserved indulgence.
Also, there are foods that call for its presence:
those springing from the ground from which it, too, was born.
Inconceivable if they didn't bond with millenary certainty.
To break that pact would be a grave breach with dogma
prescribed to allay the rough job of living.
If "gin smiles like a dead girl,"
tequila spies on us with the green eyes of a prudent sentry.
Tequila has no history, no anecdote
confirming its birth. It is so from the beginning
because it is the gift of the gods
and, usually, when they promise something they aren't telling tales.
That is the office of mortals, children of panic and habit.
Such is tequila and so it will be
keeping us company
all the way to the silence from which no one returns.
Praise be, then, until the end of our days
and praise the daily effort toward denying that end.




P.S.: Se alguém achar o original em espanhol, send it in.
P.S.2: Esse post pode ser uma homenagem ao Ceió. Winners never quit!
P.S.3: Bom final de semana a todos!

Newtonfo surpreende-se porque leu aqui no RTFM que Zumbi era gay. C'mon Newton, achei que já era fato sabido e notório, e não venha com esse papo de que eu sou historiador do orgulho gay. Alto lá, que o assunto já era de domínio público. Não venha me comprometer.

Quote of the Day: "Free Speech is the right to yell 'Theater!' in a crowded fire." - Abbie Hoffman

Quinta-feira, Novembro 27, 2003

WINDOWS TALIBÃ

Muito tempo que não posto nada de tecnologia aqui. Tenho que escrever um negócio sobre a boa e velha discussão do software livre no governo Lula, tá tudo na cabeça mas ando com pregui. Faço um um update porém - nerds que somos, eu e o Ceió fizemos uma Linux Installation Party na casa dele mês passado, regada a latinhas de skol.

Sim, sim. Vocês disseram que eu estava desatualizado, que Red Hat 6 não era exemplo, etc. etc. etc. Ok. Demos o benefício da dúvida, talvez, pensamos, o Linux tenha feito um salto tecnológico em usabilidade e interface de 20 anos nesses últimos dois anos em que parei de olhar. Instalamos o Mandrake 9 ponto qualquer coisa. Bem, mentira, o Ceió instalou, não teve paciência de me esperar e mandou ver. A instalação, disse ele, não foi sem pecalços, ele trombou em um ou outro dead-end que se não tivesse 5+ anos de experiência com Linux, a brincadeira teria terminado ali.

Mas tudo bem. Vamos usar. Vamos ver essa maravilha de sistema operacional que tem uma usabilidade maior que o Windows XP, além de ser de graça. A resposta que eu tenho pra dar é: "nhé".

Primeira coisa sim, melhorou DEMAIS. Agora dá para usar. Vejam, só copiar em uma aplicação e colar na outra FUNCIONA! Way to go, free software! Mas vamos com calma antes de dizer que esta interface está melhor do que interfaces trabalhadas em laboratório e lapidadas com esmero científico, como a do XP e do OSX.

Usar as interfaces gráficas disponíveis no Mandrake, qualquer uma, seja KDE ou Gnome, me deu aquela sensação de estar tomando Baré Cola. Voce já tomou Baré Cola? Fazia um sucesso estrondoso no interior de Minas. Alguns se arriscavam a dizer que era melhor que Coca-Cola. Mas a realidade era a seguinte - era mais barato. Baré Cola, vendida em cascos de cerveja açucarada ao ponto da saturação do paladar, com um gosto estranhíssimo de gás, só tinha o direito de existir por dois motivos: primeiro, a distribuição de Coca-Cola era falha no interior de Minas e segundo, quando a Coca-Cola dava o ar de sua graça, custava mais caro.

Com o advento das garrafas de plástico e o plano Real blá-blá-blá, por volta de 1998, as Barés Cola da vida, as tubaínas ou os refrigerantes talibãs como são às vezes chamados, saíram do seus nichos regionais e se espalharam por todo o pais, competindo head-on com a Coca-Cola. Competir é uma maneira diferente de dizer "dar uma infernal dor de cabeça para a". Porque no final das contas eu tenho meio pena da Coca-Cola.

Pena da Coca-Cola? Pois é, vejam só. Porque de cada real investido em marketing da Coca-Cola, vários centavos são usados de lenha de fogueira em uma imagem que no final das contas serve para vender mais Baré Cola. O mesmo vale para o Sprite, Fanta e suas contrapartidas talibãs.

Usando o KDE e o Gnome e entornando latinhas de Skol na sala estranhamente laranja da casa do Ceió, eu senti um pouco de pena da Microsoft. Porque o KDE e o Gnome não passam de Windows Talibãs. Eles tem start button. Eles tem taskbar. Todos os menus dos programas são a familiar sucessão "File, Edit, View". Inovação zero. Desafio zero. KDE e Gnome são um monumento à engenharia reversa preguiçosa. Nada contra a engenharia reversa, mas teoricamente ela deveria produzir um produto final melhor do que aquilo que foi desconstruído, para pelo menos justificar a falta de criatividade inicial. É aí que está a engenhosidade, que deixa MUITO a desejar nas interfaces gráficas do Linux.

E cada dólar que a Microsoft investe em refinamentos de interface de versão para versão - do 3.11 para o 95, e daí para o 98 e daí para o 2000 e daí para o XP e agora para o Longhorn também serve para impulsionar um movimento feroz de cópia. E como eu ouvi do Paulo Francis, mas o Google acaba de me contar que foi um certo Charles Caleb Colton que disse, "imitation is the sincerest form of flattery." O que mostra a contradição inerente neste pedaço do mundo open-source - se a Microsoft é a raiz de todo o mal, imitá-la de maneira tão gritante mostra no mínimo uma tremenda falta de integridade ideológica.

E como eu tenho descoberto nas minhas discussões com os membros do "movimento" nos últimos meses, ideologia é o que não falta. A parte da integridade, como descobrimos, é que anda meio capenga. Triste isso - quando a política e o radicalismo e a ideologia entram o cenário tecnológico, a inventividade e a inovação e as cabeças pensantes fazem uma rápida saída pela esquerda. Ou pela direita. Você escolhe.

Esse debate não para por aqui. A pergunta é: o Linux está pronto para o desktop? Quando Matthew Szulik, CEO da Red Hat, vem te dizer "Stick with Windows at Home", quem sou eu para discutir? Mas sim, talvez ele esteja exagerando. E provavelmente está, porque o Desktop Linux hoje está uma cópia tão descarada (mal executada, talvez) dos preceitos de interface que a Microsoft difundiu, que teoricamente garante um mínimo de usabilidade por correlação básica.

O debate está longe de acabar. Mas continuo inabalado - Linux, saia já do meu home computer onde você é uma vergonha e volte para o lugar de onde você nunca deveria ter saído: o quartinho refrigerado lá atrás onde você é uma estrela.




Update: Ceió manda, ali nos comentários, o problemas que encontrou durante a instalação do Mandrake. Reproduzo aqui para maior clareza.
Alguns dos problemas que eu tive para instalar e/ou usar o sistema foram os seguintes (por favor não venham como "ah mas isso vai melhorar com o tempo", pq a maioria das pessoas aqui disse que ja era MELHOR do que o Windows) :

1- A instalação simplesmente não finalizou. Chegou a um ponto onde mudou a configuração da placa de vídeo para high color 16-bit (sugestão do proprio sistema, pois minha placa suporta bem mais do que isso) e congelou. Fiquei 45 minutos esperando bootar. Não rolou. Bootei com BOTÃO RESET e aí ele já voltou no sistema instalado com 256 cores. Tive que configurar a placa na mão como nos velhos tempos. Não finalizar a instalação é um ABSURDO !

2- Várias vezes ele pediu um cd (por exemplo : cd 3(international) e apesar de eu colocar o cd 3 e dar ok várias vezes, ele não reconhecia e/ou congelava. Tive que desistir de alguns pacotes.

3- O particionamento de HD (especialmente no meu caso que tenho um win2k ocupando o hd todo) + configuração de swap ainda são para usuários experientes;

4- Instalado o sistema, fui para o KDE, naveguei pelos menus tentando executar alguns programas. Alguns funcionaram (a maioria) mas muitos não funcionaram e o que pra mim é o pior defeito do LInux : Não há mensagem de erro. Se eu não fosse macaco velho e fosse executar o arquivo na mão (normalmente com a opção --verbose) , não saberia que estava rolando erro. E 100% dos erros eram do tipo "function gtk_get_nãoseioque() ilegal reference" ou "library 1.1023.1 not found". Eu que programo em C há vários anos sei corrigir (ALGUMAS VEZES), minha irmã não sabe.

5- Escolhi Português Brasil como linguagem do KDE. A tradução é simplesmente risível, não pq as palavras sejam de Português de Portugal, mas sim pq simplesmente 50% das mensagens ainda estavam em inglês, dando resultados como "Configuring your placa de rede". Acaba que fica mais confuso, então troquei tudo pra inglês.

6- Seguindo na esteira do erro 4, um programa chamado xmms não funciona. Veio quebrado por default. O problema é que não tem outro programa para ver mpeg vídeos no cd, então estou sem vê-los. A mensagem de erro é legal : um dump hexadecimal ali, na sua bash shell. Depois de muita consulta na net, achei : "se o xmms.1293102931209 não for compilado na versão X.109238102938 com o X server 120938102938123", não vai funcionar". Ótimo, o Linux está copiando não só a interface do Windows, mas também o DLL HELL.

7- Meus webbrowsers não conseguem ler java applets assinados nas páginas. Depois de 40 mb de downloads e mais downloads, ainda não consegui fazer funcionar direito. Lê uns applets e não outros. E olha que sou programador Java desde 1998 !!!

Mantenha essa carta à mão. Nessa economia, pode ser necessária mais cedo que você imagina.

I have received rejections from an unusually large number of exceptionally well qualified organizations. With such a varied and promising spectrum of rejections from which to select, it is impossible for me to consider them all. After careful deliberation, then, and because a number of firms have found me more unsuitable, I regret to inform you that I am unable to accept your rejection.

Eu li e recomendo. Leia também.

Se você já pensou em escrever duas linhas que sejam na sua vida, eu, se fosse você, lia o livro do Polzonoff. Leia, mas não deixe que ele te impeça de escrever (que é a verdadeira intenção do livro). Ignore esta parte. Aprecie o ensaio como uma excelente lista do que NÃO fazer.

Terça-feira, Novembro 25, 2003

Personalidade do Dia: Pavlik Morozov (1918 - 1932) - Herói da Povo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e Patrono dos Jovens Pioneiros.

Pavlik Morozov, supposedly killed by "kulak" relatives for denouncing his father to Stalin's secret police (OGPU-NKVD), was adopted as a patron saint by the "Young Pioneers," the Soviet equivalent to the "Boy Scouts." His life exemplified the duty of all good Soviet citizens to become informers, even at the expense of family ties.
Aprendi quem é olhando aqui ó: This Godless Communism. Dica do Javaboy.

Segunda-feira, Novembro 24, 2003

21st Century Digital Boy -- Bad Religion
I can’t believe it
The way you look sometimes
Like a trampled flag on a city street
Oh yeah

And I don’t want it
the things you’re offering me
Symbolized bar code, quick id
Oh yeah

'Cause I’m a 21st century digital boy
I don’t know how to live but I’ve got a lot of toys
My daddy’s a lazy middle class intellectual
My mommy’s on valium, so ineffectual
Ain’t life a mystery?

I can’t explain it
The things they’re saying to me
It’s going yayayayayayaya
Oh yeah
'Cause I’m a 21st century digital boy
I don’t know how to live but I’ve got a lot of toys
My daddy’s a lazy middle class intellectual
My mommy’s on valium, so ineffectual
Ain’t life a mystery?

I tried tell you about no control
But now I really don’t know
And then you told me how bad you had to suffer
Is that really all you have to offer?

See I’m a 21st century digital boy
I don’t know how to live but I’ve got a lot of toys
My daddy’s a lazy middle class intellectual
My mommy’s on valium, so ineffectual

That’s what I yearn for
Neurosurgeons scream for more
Innocence raped with napalm fire
Anything I want I really need

Num frenesi alcoólico no sábado à noite que durou aproximadamente quarenta minutos, dei minha contribuição para os bêbados do mundo e inventei um novo drink. Deixo a receita abaixo, é tiro e queda:

LUCHA LIBRE
1 parte de Bailey's Irish Cream
1 parte de Rum Carta Prata

Modo de Preparo: Misture e beba.

Atenção: Não cheire, o cheiro é meio nojento.

A Lâmina de Occam encontra o assassinato de JFK num novo documentário da BBC e o resultado todos já sabem - foi um cara só, não teve um segundo sniper, e a enorme conspiração, 40 anos depois, não deixou nenhum traço.

The idea that Lee Harvey Oswald, an under-achieving awkward misfit, acting alone could murder the most powerful man in the world is simply an example of how banal murders can be.

Pausa para nossos comerciais: Pedro Garcia manda avisar - Samambaia, sua griffe 400% brasileira, is in da house. Vai lá conferir e compra uma baby-look pra sua namorada. Ela vai ficar um tesão.

Sexta-feira, Novembro 21, 2003

Chope não é vinho Paulo Roberto Pires sobre a reinauguração do Jobi: (...)Limpo e iluminado, o estabelecimento mais próximo que conheço do “Bar Esperança” me fez ver, estarrecido, a multiplicação acelerada de um novo tipo de chato: o especialista em chope – e em botequim. Trata-se de uma versão tropicalizada e pé-de-chinelo do connaisseur de vinho, aquele sujeito que, não satisfeito em sentir gostos perolados e aromas trufados, não deixa ninguém em volta beber em paz com suas teorias e interpretações. [dica da Anna]

Virar especialista em bebida é o caminho mais rápido para a chatice. Se a pessoa não se acha chata o suficiente e deseja ficar chata LOGO, eu sempre recomendo "compra um livro de vinho".

Não que isso já tenha acontecido, mas quando acontecer eu já tenho a solução pronta.

Ah, e pior do que qualquer enólogo empedernido é o especialista em cerveja e cachaça. Porque o único predicado positivo que o enólogo tem (o dinheiro), ele não tem. O especialista em goró é um enólogo pobre, um enólogo low end. Aquela velha equação continua valendo, crianças: Chato rico = excêntrico. Chato pobre = chato.

Quarta-feira, Novembro 19, 2003

ENTÃO: Amanhã, 20 de novembro, é Dia de Zumbi. O que seria amplamente ignorado pela população, sem discriminação de raça, cor, credo e classe. Se não fosse feriado estadual no Rio de Janeiro. Como é feriado, todos os setores da sociedade, unidos em uma causa em comum, continuam amplamente ignorando o fato, até 3 dias antes do dito, quando começam a rolar os seguintes diálogos:

- Quinta-feira é feriado?
- Não sei, é?
- Pô, acabei de receber um e-mail aqui falando que é.
- Como assim, de quê? Proclamação da República?
- Esse foi semana passada...
- Foi?
- É, caiu num domingo, ninguém viu... ô fulano, quinta é feriado?
- É. Acho que é dia de Zumbi.
- Dia de quem?
- Zumbi... eu acho.

Repita o diálogo acima todos os anos.

Mas longe de mim reclamar de um feriado "de grátis", porém um feriado que surge do nada assim de repente merece uma análise de todos os setores da sociedade. Sabemos que tem gente contra, que tem gente a favor e que tem gente que não sabe do que estou falando (esse é o tipo de gente que aparece para trabalhar e acha estranho que o escritório está tão vazio).

Para acomodar as opinões contrárias, estou lançando aqui o meu primeiro Ponto-Contraponto, onde fui direto à fonte, procurando dois colunistas com opiniões fortes sobre o assunto e abrindo o debate sobre o Dia de Zumbi. Vamos ao que interessa então.




Zumbi

Nesse Dia, Todos Somos Negros


No final da década de 70, retomando uma longa e rica trajetória de lutas, o movimento negro sai às ruas para denunciar o racismo e lutar pela melhoria da condição de vida do povo negro brasileiro. Um dos marcos dessa retomada de luta é a criação do Dia Nacional da Consciência Negra, em 20 de Novembro.

Nesse dia, no ano de 1695, eu, Zumbi dos Palmares, fui assassinado no Quilombo dos Palmares, um território livre, símbolo da resistência ao regime escravista e da consciência negra de homens e mulheres em busca da liberdade e da construção de uma nação.

Recuperar os meu ideais não é apenas rememorar Palmares, mas resgatar um importante exemplo de luta e organização pela emancipação do povo brasileiro.

Em 1995, depois de 300 anos de seu assassinato, Eu fui oficialmente reconhecido pelo governo brasileiro como um herói nacional. No Estado do Rio de Janeiro e em várias cidades do nosso país, o dia 20 de Novembro é considerado feriado. Há um projeto tramitando em Brasília para que esse dia seja transformado em feriado nacional. Governos, parlamentares, universidades, escolas, sindicatos, igrejas, movimentos populares e entidades sociais reconhecem e comemoram o significado desta data.

E o próximo 20 de Novembro ocorre em um momento singular da conjuntura brasileira: o Presidente da República é Luis Inácio Lula da Silva, um nordestino, líder sindical, eleito por aqueles que há anos lutam juntos por um outro Brasil - democrático, justo e igualitário.

Zumbi foi rei lá no Quilombo dos Palmares. Na cultura o negro se agiganta. A fé da 'terra mãe' é seu alento. Existe um grito preso na garganta etc. etc.




Zumbi

A Sua Consciência Negra Looks Good Enough To Eat


Quando eu leio a respeito da consciência negra, ou do dia da consciência negra, só consigo pensar em uma coisa: "BRAAAAAAAAAINS". Algumas pessoas me consideram racista quando eu digo isso, mas a verdade é a seguinte:

1) Eu penso nisso o tempo todo. Sério. Não consigo parar. Até quando estou degustando cérebros estou pensando "FREESSSH BRAAAAAAAINS". Pagando minhas contas: "BRAAAAAAAINS". Cortando a grama: "HUMAAAAAN BRAAAAAAAINS". Lavando a louça: "MOOOREEEE BRAAAAINS". Vocês entenderam.

2) A última coisa que podem me chamar é de racista - estou interessado em cérebros humanos de todas as raças e cores. Jamais rejeitei qualquer cérebro seja ele de origem européia, africana, asiática ou (se for o caso e se o filme for "B" com "B" maiúsculo) extraterrestre.

Mas o que realmente me deixa tiririca da vida com esse papo de "Dia do Zumbi" é a falta de gratidão. Enquanto todos celebram a existência de um certo líder negro, todos se esquecem de um homônimo ícone da cultura pop internacional - este que vos fala e seus pares.

Ah, e PELO AMOR DE DEUS, vamos lá - Zumbi era veado. Isso mesmo. Uma puta bichona do caralho. Pára com isso, meu. Só tem espaço para um zumbi. E esse sou eu.

Consciência negra de cu é rola, xará.

Zumbi é morto-vivo. Quando não está comendo cérebros, pode ser encontrado negociando contratos milionários com produtores de filmes B. Seu lema é "SEND... MORE... PARAMEDICS".


(O texto do Zumbi é roubado e adaptado daqui. Valeu Ceió pela idéia do Dia do "Zumbi")

Terça-feira, Novembro 18, 2003

VELHOS AMIGOS E A FEMALE BARTENDER MAIS SEXY DO HEMISFÉRIO

Encontrar um amigo que não se vê há muito tempo requer tempo para sincronizar gigabytes de informações que andavam desconectadas. E aí, como vai sua vida; o que você anda aprontando; você não vai acreditar quem eu comi; você só pode estar gozando a minha cara; e aqueles sessenta reais que você me deve, seu pulha; só quando você me devolver o Caçada ao Outubro Vermelho que se bem te conheço tu nem leu e ainda deve ter limpado a bunda com ele. image borrowed from corbis.com - all rights reserved. please dont sue me, i am a very poor individual.

Tudo bastante comum e prosaico, e como em todas as coisas comuns e prosaicas, a empolgação tende a desaparecer rapidamente junto com os assuntos mais superficiais, deixando dois homens com as seguintes opções:

1) Partir para assuntos mais profundos e transformar isso aqui numa dinâmica de grupo, com direito a momentos abra-seu-coração-para-mim e chora-pode-chorar-desabafa-que-faz-bem (não é uma opção na verdade - não sei nem porque estou falando nisso)

2) Prática esportiva ou "esportiva". Jogar tênis, futebol soçaite, ping-pong, xadrez chinês, ludo, truco, winning eleven, tekken, qualquer coisa que preencha esse silêncio constrangedor (não é bem o caso)

3) Encher a cara (fuck YEAH!)

A opção três foi tomada como uma missão divina, e a liberdade e a democracia e o american way of life dependiam do nosso skill e determinação em esvaziar copo atrás de copo. E assim foi um sábado de tarde que virou começo de noite, que foi coroado com o tal amigo redecorando o interior do meu carro com o interior de seu estômago, no meio da Avenida Ayrton Senna, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil.

- PUTA QUE PARIU CARALHO LAVEI O CARRO ONTEM!
- Beleza, beleza, agora eu zerei. Vamos parar naquele bar ali.

Um pequeno contratempo desses não iria nos deter. Depois de uma pequena geral no carro, e mais e mais chopes eu tive uma idéia fantástica, posto que o carro cheirava como se alguém tivesse morrido lá dentro. Em 1994.

- Cara, shopping. Tem uma parada de lavar carro lá. Nós vamos lá, enquanto neguinho resolve a merda que você fez, a gente enche a cara em qualquer lugar.
- Formou.

Shopping. Deixei o carro no lugar. O gerente do estabelecimento foi direto ao ponto.

- Esse carro tá fedendo a merda!
- Data maxima venia, não é merda, é vômito.
- A gente lava a seco, esse cheiro não vai sair. - Ele disse, tentando segurar o almoço dentro das entranhas.
- Do your best. Confiamos em você.
- Vai sair caro.
- Money is not an issue. - Um dos pontos positivos da intoxicação alcóolica é falar frases clichês inconsequentes em inglês sem a menor preocupação com o resultado.image borrowed from corbis.com - all rights reserved. please dont sue me, i am a very poor individual.

Deixando o estabelecimento em direção ao bar mais próximo, informei meu amigo de uma regra que ainda estava no plano do não-dito. Para deixar as coisas claras, então:

- Você já sabe que você vai pagar pela lavagem, certo?
- Imaginei. E o lance de "dinheiro não é problema" lá atrás foi nada menos que um caso da conhecida síndrome da "cortesia com o chapéu alheio".
- You got that one right.

E eis o bar mais próximo: um restaurante temático importado, com um bar, com um belo e gigantesco balcão de madeira, com televisões providencialmente ligadas na ESPN e SportTV, adequadamente posicionadas para preencher os silêncios desconfortáveis com comentarios sobre a participação do Brasil no Panamericano de Santo Domingo (*bocejo*).

Mas é aqui que realmente começa a nossa história. Acomodados confortavelmente nos bancos altos de madeira e debruçados no imenso balcão e esvaziando canecas de cerveja a R$ 4,50 a unidade.

- Caro para caralho essa porra desse chope.
- O chope eh australiano. É curtido em barris revestidos internamente com couro de testículos de canguru. Ademais, money is not an issue. Bebe, bebe.
- Alguem tinha que avisar a Brahma então que a marca deles tá sofrendo uso indevido. Olha lá na chopeira B-R-A-H-M-A.
- É a subsidiária australiana. AusBev - Australian Beverages. Drink up, drink up. O carro fica pronto antes que a gente imagina. Carros sempre ficam prontos em momentos inapropriados, é uma definição básica da indústria de serviços automotivos desde Henry Ford. Não temos muito tempo.

O sentimento de urgencia era uma constante. Tínhamos que beber, e beber muito e beber rápido para realizar alguma coisa que não sabíamos bem o que. Dois zumbis com um gosto por álcool ao invés de live human brains.

Junto com o torpor alcoólico veio o silêncio. Mas o silêncio associado ao álcool é deveras agradável, ao invés de desconfortável e constrangedor. Eu acompanhava atletas brasileiros lutando por uma medalha em Santo Domingo. O amigo estava lá com um olhar perdido no horizonte.

"Horizonte" no caso, era uma jovem female bartender. Uma graciosa flor do oriente, ziguezagueando em alta velocidade atrás do balcão, rabinho de cavalo sempre levitando no ar seguindo a inércia. Lá estava ela, mantendo os copos cheios e as barrigas satisfeitas. Uma garota fazendo seu trabalho.

- Gostou? - Perguntei.
- Você não acredita.

Olhei de novo.

- Seis. - Avaliei.
- Hm?
- A nota. É seis. Justa. Passou.
- Brincou, doze. Numa escala de dez.
- Você não serve de parâmetro. Você é o rei da indústria dos serviços. Se está atrás de um balcão ou de uma caixa ou de uma escrivaninha ou tem um button dizendo "Como posso ajudar?", você já quer levar para casa para conhecer sua mãe, mesmo que seja o Quasímodo.
- Então espera. Você vai me dar razão. Espera. Você não viu ela em ação. Espera.
- Humpf.

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Voltei minha atenção para Santo Domingo, apenas para descobrir que agora estavam passando um torneio de golfe. Quando comecei a formular a pergunta "que tipo de pessoa assiste a esse tipo de coisa", ele chutou minha canela repetidamente.

- Olha agora. Olha agora. Olha agora. Olha agora. Olha agora. - Ele disse, puxando meu queixo e apontando meu olhar para a direção correta.
Eu olhei. SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK.
- Deus, eu vou casar com ela. - Ele continuou.
SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK.
- Estou impressionado.
SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK.
- Olha isso, bicho. Olha isso.
SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK.
- Não consigo parar de olhar, eu juro.

Ela preparava um drink com uma coqueteleira. Parada, no meio do balcão, de frente a pequena platéia de dois, segurando a coqueteleira com as duas mãos, em frente aos seios, sacudindo SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK com uma cara que valia um milhão de dólares. Uma cara de quem se divertia fazendo aquilo, intercalada com pequenos momentos de tédio, voltando a se divertir de novo quando imprimia um ritmo renovado ao sacolejo SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK.

Mas tudo que é bom dura pouco e um drink não leva mais de 15 segundos de chacoalho. Ficamos nos entreolhando. Você viu? Eu vi, e você viu? Vi, voce também? O assunto, de inexistente passou a monotemático. Cada micronésimo de segundo da performance foi analisado e revisto. Com a memória prejudicada pelo consumo de álcool. Faltavam detalhes e a única maneira de preencher as lacunas era ver de novo, para o tira-teima. Com o bar lotado, alguém iria pedir um drink logo, logo. Era fatal.

- Tem piña colada?
- Tem - respondeu a female bartender mais sexy do hemisfério.
- YES! - comemoramos em uníssono. E imediatamente olhamos para a TV para despistar. Só uma dupla de fãs de golfe, nothing to see here.

Mas comemoramos em vão. Piñas coladas não precisam de coqueteleiras, você sabia disso? Eu não. Pois é. Nossa decepção era aparente, mas algo iria ser feito a respeito.

- Isso não vai ficar assim - ele disse.
- O que dá pra fazer a não ser esperar?
- We must take action - ele disse, e imediatamente emendou, em direção à garota - Oi, oi...

Sim, ele ia tomar as rédeas do assunto. O mundo é dos pragmáticos.

- Escuta, vocês tem caipirinha?
- Sim, tem de Lua Cheia, Havana e Nega Fulô.
- Qualquer uma, qualquer uma.
- Ah, você vai ter que escolher uma... - Ela sorriu.
- A última. A última. Nega Fulô. Nega Fulô.

Assim que ela se virou eu disse:

- Você sabe que caipirinhas TAMBÉM não vão na coqueteleira. Acho que é a única coisa que têm em comum com as piñas coladas. É fato notório e sabido. Nunca vi uma caipirinha de coqueteleira na vida.
- Sério? - A cara de decepção dele me deu dó, juro.
- Me assombra você, rodado e informado e viajado não saber disso.
- Então me responde o que ela tá fazendo ali agora.

Ela estava despejando cachaça, açúcar e limão na coqueteleira. E tampando-a.

- Por Nosso Senhor Jesus Cristo, como eu adoro estar errado.

E SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK. Música para os ouvidos. Tudo sacolejando no ritmo da capirinha e das pequenas mãos e músculos working that fucking drink.

E veio sorridente depositar a caipirinha em cima de um guardanapo no balcão.

No que eu me peguei dizendo:

- Pode trazer mais uma.

E açúcar. E limão. E gelo. E SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK.

Tomamos quatro. Cada um. Sem trocar palavra. Quando ele pediu a quinta, ela disse:

- Vocês gostaram mesmo, né?

Como dois animatrônicos da Disney fizemos que sim com a cabeça. Ela parou na nossa frente e despejou o material na coqueteleira como já estávamos longe de cansados de vê-la fazer. Enquanto fazia os preparativos, explicou:

- Sabe, a caipirinha aqui não é assim, essa é especial.
- Sei.
- Não diga.

Ela riu.

- Verdade, eu ponho um pouco mais de suco de limão e um pouco menos de açúcar. Achei que vocês iam gostar.
- Olha que legal.
- Incrível.

Riu de novo. Tampou a coqueteleira.

E SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK-SCHACK. Olhos nos olhos. Com ritmo. Com empenho. Olhando para mim e para ele como se fosse a coisa mais normal do mundo. E era. Pena que acabava rápido.

image borrowed from corbis.com - all rights reserved. please dont sue me, i am a very poor individual.

E enquanto despejava o conteúdo no copo, se debruçou em direção ao balcão e disse, num quase sussurro:

- É assim que eu faço para o meu namorado.
- ...
- ...

RING Meu celular.

- Oi.
- Seu carro tá pronto.
- Meu carro tá pronto?
- É seu carro tá pronto.
- Como assim meu carro tá pronto?
- Seu carro está pronto!
- Ah.
- Estamos fechando em cinco minutos...
- Ah... o quê?
- A gente fecha agora. Em cinco minutos.
- Ah.

Sim, os carros ficavam prontos no momento mais inconveniente possível, como eu previ. Sim, ele sugeriu que eu buscasse o carro, fosse para casa e pediu que simplesmente o deixasse ali, com a japonesa, a coqueteleira e um infinito suprimento de cachaça, limão e açúcar.

Não, alguém tinha que pagar pela lavagem.

O carro estava "pronto". Ainda cheirava como se alguém tivesse morrido lá dentro. Em 1994. Só que deram um banho no defunto.

No dia seguinte, ele pagou por uma nova lavagem no estofamento do carro. Dessa vez funcionou. Pelo menos alguma coisa passou por aquele dia e saiu mais limpa, ao contrário das nossas mentes.

Segunda-feira, Novembro 17, 2003

Alexandre Soares Silva descreve o problema fundamental do Rio de Janeiro e marca mais um gol de placa:

Certo, a maresia aos poucos vai entrando pelo ouvido e deixando as pessoas um pouco imbecis. É por isso que todo carioca é meio esquerdinha – por isso e porque são mulherzinhas sensíveis – a esquerda sendo, você sabe, mulheres sensíveis de todos os sexos fazendo força para pensar em política. A esquerda sendo uma mulher vendo um mendigo na calçada, na saída dum restaurante em Copacabana, e dizendo “ai credo, isso também não está certo. Vou votar na Benedita”.
Leia tudo aqui.

Sexta-feira, Novembro 14, 2003

AGORA QUERO VER SE CUBA LANÇA, QUERO VER CUBA LANÇAR

Ah, e ontem eu fui no lançamento do livro do Polzonoff. Acho que foi o segundo lançamento de livro que fui na minha vida, e queria fazer o serviço completo - comprar o livro, falar com o escritor, ganhar um autógrafo. Só que surpresa, surpresa - Paulo Polzonoff não dá autógrafos. De acordo com ele, autografar "O Cabotino" seria um contra-senso.

Ok, concordo.

Mas foda-se, eu quero o *meu* autógrafo. Como havia avisado nos comentários do blog dele:

Paulo, se eu for no lançamento do seu livro aqui no Rio, comprar a parada e você não autografar eu vou rodar a baiana e meter o pé nessa porra.
De saída, lugar já vazio, lancei mão da minha cópia do livro, roubei uma caneta e sentei-me ameaçadoramente perto do autor.

- Você não tem *noção* do nivel do escândalo que eu sou capaz de dar se você não autografar meu livro.

Ele olha pra mim, assustado:

- Quem é você, mesmo?
- Eu sou o Bernardo.
- Ah, Bernardo...

Entreguei a caneta. Do outro lado da mesa, um rapaz se insinua com seu livro em mãos.

- Já que você vai autografar o livro dele...
- Calma lá rapaz, uma coisa de cada vez - eu digo - o meu autógrafo não tem nada a ver com o seu. Primeiro ele autografa o meu livro, depois você negocia com ele pessoalmente.

Paulo Polzonoff luta e sua, mas faz uma dedicatória e um rabisco. De longe, enquanto o autor luta com a primeira página do meu livro, ela se despede de uma massa de blogueiros e sussura pra mim: "Conseguiu?"

Eu faço que sim, agredeço e um abraço.

P.S.1: Parabéns, Polzonoff e obrigado pelo autógrafo!
P.S.2: O Rafael (O cara com o melhor job title do mundo) tem uma descrição da noite muito melhor que a minha. Vai lá ler. Lá também tem links para toda a nata blogueira carioca que eu tive o prazer de conhecer pessoalmente.

CENA DE UM ALMOÇO

Colegas de trabalho almoçando na "Cantina Gaúcha", um restaurante minúsculo na Alcântara Machado próximo à Rua do Acre, centro do Rio de Janeiro.

Colega de Trabalho 1: Vamos rachar um Oswaldo Aranha?
Colega de Trabalho 2: (Cara de nojo) Não, não...
Colega de Trabalho 1: Carré com Feijão Tropeiro então?
Colega de Trabalho 2: (Arregala os olhos) De jeito nenhum!
Colega de Trabalho 1: Porra, mas tu não quer nada!
Colega de Trabalho 2: Pô, eu tava querendo uma comidinha mais light...
Colega de Trabalho 3: Então veio no lugar errado, aqui só tem comidinha darkness.

Terça-feira, Novembro 11, 2003

"Panama" do Van Halen é uma música que não apenas inspira a prática do Air Guitar, mas também inspira vários momentos de Air Pé-no-Retorno. Vejam por si próprios.

Segunda-feira, Novembro 10, 2003

Sexta-feira, Novembro 07, 2003

it rocks

Google Deskbar Se a toolbar já era boa, voce nem imagina o que é a deskbar. Instale agora, comece a brincar, e entre com as suas URLs para buscas customizadas. Eu já entrei algumas, listadas abaixo. [gracias Stag pelas URLs e Javaboy pela dica]

Dictionary.com
http://dictionary.reference.com/search?q={1}

Aurélio
http://www2.uol.com.br/aurelio/index_result.html?stype=k&verbete=q={1}&x=15&y=6

Acronym Finder
http://www.acronymfinder.com/af-query.asp?String=exact&Acronym={1}&Find=Find

Namíbia é limpa e não parece África, diz Lula Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje, durante o discurso de despedida da viagem à Namíbia, provocou constrangimento na comitiva brasileira. (...) "Quem chega em Windhoek não parece que está em um país africano. Poucas cidades do mundo são tão limpas, tão bonitas arquitetonicamente e tem um povo tão extraordinário como tem essa cidade", disse Lula.

Eu acho que o Lula devia demitir o cara que escreve os discursos para ele e se ater ao improviso. É sempre um manancial inesgotável de diversão e schadenfreude (expressão que eu uso muito quando me refiro exclusivamente ao Lula e ao Atlético Mineiro).

Por outro lado, o tradutor que mudou o discurso do Lula on-the-fly e deu uma melhorada na situação devia ganhar um aumento. Pena que o Lula não precisa de tradutor no Brasil... mas até isso é algo a se pensar.

SEVENTEEN -- Sex Pistols



You're only 29
Got a lot to learn
But when your mummy dies
She will not return

We like noise it's our choice
It's what we wanna do
We don't care about long hairs
I don't wear flares

See my face not a trace
No reality
I don't work I just speed
That's all I need

I'm a lazy sod, I'm lazy sod
I'm a lazy sod I'm so lazy
I'm a lazy sod I'm lazy sod
I'm a lazy sod I'm so lazy
I can't even be bothered
Lazy lazy

Quarta-feira, Novembro 05, 2003

Começou a terceira temporada de 24 nos EUA. Mas não é disso que eu quero falar. Eu quero falar do seguinte - um nerd qualquer observou que a CTU não usa mais MacOS - agora usam Linux, com interface gráfica KDE. Até aí, *yawn*.

A questão que nosso amigo levanta, essa sim bastante interessante, é: A interface gráfica do KDE e seus ícones são distribuidos pela GPL (que é a licença de software de, entre outros, do Linux), e a GPL claramente indica que qualquer uso daquela propriedade intelectual automaticamente muda a licença de quem usa para GPL também.

Se isso for verdade, episódios de 24 são automaticamente licenciados pela GPL - pode gravar, copiar e distribuir à vontade.

Se isso for verdade, porém, Steve Ballmer está certo: (apesar de uma excelente idéia IMHO) a GPL é um câncer "that attaches itself in an intellectual property sense to everything it touches."

Terça-feira, Novembro 04, 2003

Quote de uma conversa no messenger hoje: "A sociedade já acordou para a questão do sexo, e fatalmente vai ser obrigada a acordar para a questão das drogas, mas a verdadeira questao é... será que ela um dia acordará para a questão do rock'n roll?"

Segunda-feira, Novembro 03, 2003

FDR: (...) O presidente do PT, José Genoíno, comparou a política econômica de Lula àquela promovida por Lênin logo após a revolução russa – negando, no entanto, que seu partido queira implantar o socialismo no Brasil. Francamente, eu torço para que Genoíno esteja mentindo. Torço para que o PT não só queira, como tente e consiga implantar o socialismo. Não poderia haver nada melhor. Sei exatamente em que ponto e em que horário é mais fácil saltar o muro da casa do cônsul americano e já tenho o meu discurso pela liberdade decorado. Amigão, tô contigo e te dou pezinho.

Na Veja dessa semana, Diogo Mainardi entrevista um membro do MV-Brasil, um cara que eu apelidei carinhosamente de Der Führer. Olha só como você não pode ser preconceituoso com as pessoas - eu imaginava que ele era um detestável e raivoso fascista. Qual a minha surpresa ao descobrir que é um comediante do porte de um Seinfeld, com declarações deste nível, nas palavras de Mainardi:

Wagner Vasconcelos garante que seu movimento não tem simpatia pelos nazistas, inclusive porque os nazistas, segundo ele, "cometeram alguns exageros".

A participação dos militares é fundamental para o cumprimento dos planos do MV-Brasil. A meta é construir doze submarinos nucleares nos próximos cinco anos, para poder enfrentar os Estados Unidos de igual para igual em caso de conflito armado.
E o piéce de resistance, onde é revelada a conspiração judaica contra as religiões monoteístas:
O Halloween (...) é o instrumento usado por uma conspiração de mercadores apátridas para dominar o mundo, abolindo as nacionalidades e as religiões monoteístas. (...) Pedi o nome de alguns desses mercadores apátridas. Wagner Vasconcelos citou as famílias Bronfman e Rothschild. Perguntei se ele podia citar algum não-judeu. Ele pensou um pouco e respondeu "a família real britânica".
TA TA TSH! Leia também. O cara tem talento. Breve no comedy club mais próximo de você.