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Sexta-feira, Janeiro 30, 2004

Come To Kenya We Got Lions

Forget Norway
Kenya Kenya Kenya Kenya
Where the Giraffes are
And the Zebras
Kenya come to Kenya

(Na verdade, AFAIK, não existem tigres em Quênia. Mas foda-se)

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004

Brand New, In Glorious Beta!

Ano-novo, layout novo. Ainda está em beta, muita merdinha de CSS para mexer e as páginas internas continuam no layout antigo. So sue me. Mas ficou bonito, não ficou? Tava precisando de arejar aqui. Vou até mandar um Olavo Bilac em homenagem:

- Ora (direis) ouvir estrelas! Certo,
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouví-las, muita vez desperto
E abro a janela, pálido de espanto.

Turtles All The Way Down

Via Kottke:

In A Brief History of Time (Bantam Books, 1988), Stephen Hawking tells the story of an elderly woman who confronted Bertrand Russell at the end of a lecture on orbital mechanics, claiming she had a theory superior to his. "We don't live on a ball revolving around the Sun," she said, "we live on a crust of earth on the back of a giant turtle." Wishing to humor the woman Russell asked, "And what does this turtle stand on?" "On the back of a second, still larger turtle," was her confident answer. "But what holds up the second turtle?" he persisted, now in a slightly exasperated tone. "It's no use, young man," the old woman replied, "it's turtles all the way down."

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

Pérolas Sobre Cidade De Deus No Oscar

Da Folha de São Paulo de hoje:

Paulo Lins, autor de "Cidade de Deus": "O quê? Indicado ao Oscar? Pode? (risos) Não é a coisa mais importante do mundo. O filme já ganhou coisas mais legais, como o Festival de Havana".
Ah, anota aí: ganhar um Comandante-en-Jefe de Oro (ou troféu que o valha) no Festival de Havana é muito mais legal que ganhar um Oscar. Acho que aqui se aplica a frase de Golda Meir que eu aprendi ontem: "Não seja modesto - você não é tão bom assim". Mas continuando, mais uma pérola:
Douglas Silva, ator, fez o personagem "Dadinho", em "Cidade de Deus": "Da outra vez [ano passado] não deu para ser indicado. Mostramos para eles que não vamos desistir. Essa é só a primeira etapa. Vamos partir para outras e para a vitória".
Alguém quer fazer o favor de contar pra esse garoto que é o Oscar e não a Copa do Mundo? Tipo, depois do Oscar, é isso aí, acabou. Não é fase eliminátoria e depois vem o mata-mata. Ainda bem que desligaram o microfone do menino, porque ele já ia dizendo "depois nóis vamo pras quartas-de-final e aí é jogo sem favorito".

Terça-feira, Janeiro 27, 2004

All Right Hear This

MC Karol Wojtyla got mad flava! His Holiness digs old-school hip-hop, yo. He got some crazy moves and wild beats. Check it out, yo, this pope is da shit! Papal blessing for break-dancers.

And The Oscar Goes To

Ano vem, ano vai, muda o ministério mas uma coisa não muda - todo ano tem Oscar. E sempre que sai a lista de indicados o assunto dos quinze ou vinte dias seguintes é sempre o mesmo: "eu acho que esse ano o fulano leva" "não, ele não é respeitado pela academia" "é, não viu o Spielberg" "eu não sei do que vocês estão falando, eu só assisto filmes de países insignificantes cujo PIB é menor que o do Brasil" "então foda-se, senhor Fórum-Social-Mundial" "não, foda-se você, Poddle-de-Madame-de-Davos, você vai ser o primeiro contra a parede quando a revolução chegar". E assim por diante. Todo mundo tem opiniões fortes, todo mundo vira crítico de cinema.

Eu não poderia ficar de fora. Então, dois pontos:

Cidade de Deus: Quatro indicações hein? Que beleza. É um filme legal. Eu quase não assisti, devido única e exclusivamente à péla-saquice do Zuenir Ventura, que disse (e as propagandas do filme repetiam) que "assistir a Cidade de Deus é um dever cívico". Dever cívico de cu é rola, que papo escroto do caralho. Desde quando assistir um filme sobre um bando de favelados cheirando cocaína e matando uns aos outros é dever cívico de alguém? Queria morar num apartamento foda em Ipanema e ter minha própria coluna no jornal para ficar cagando regra assim: "assistir a Comando para Matar é um dever cívico". Mas me desvio do assunto. É um bom filme, para os padrões prévios do filme nacional, então, é um Cidadão Kane. Mas questiono especialmente as indicações para o Oscar de Direção e Edição, porque vamos combinar - nesses dois quesitos, o Cidade de Deus é uma cópia ipsis literis do Snatch e outros filmes modernosos do final do século passado.

Veja Só: Esse ano, pela primeira vez ever, eu tenho vontade de assitir aos cinco indicados, e, incrível - já assisti a três, faltando Lost in Translation e Master and Commander, que serão vistos logo, logo - antes da grande noite. Minha torcida vai para o Retorno do Rei, não pelo filme isoladamente, mas pelo conjunto dos três filmes. FIco aqui torcendo, mas não me animo muito, porque afinal a tradição da Academia reza que trilogias... oh, shut up.

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004

Clap Clap Clap Clap

Procrie com moderação Quem não acredita na importância da família deve ter nascido em meio a um arremedo, o que pode acontecer a quase qualquer um e está longe de ser pecado. O pecado mora em considerar que todas as famílias são ruins, ou pior, que a família é uma péssima instituição apenas porque a sua é um fracasso. Esse tipo de miopia costuma aparecer com certa predominância em nascidos de famílias disfuncionais, circulatoriedade que, admito, me deixa um tanto atônito. -- Daniel Pellizzari


Terça-feira, Janeiro 20, 2004

Badger Badger Badger Badger Badger Badger

Mushroom mushroom

Argh snake snake snake ooh it's a snake

Segunda-feira, Janeiro 19, 2004

That's When I Reach For My Revolver

Snow White and the Madness of Truth

Da Folha de hoje (artigo aqui, para assinantes only):

Embaixador israelense destrói obra em museu
O embaixador de Israel na Suécia, Zwi Mazel, foi expulso do Museu Nacional de Antigüidades de Estocolmo, na última sexta, após ter destruído a obra "Snow White and the Madness of Truth" ("Branca de Neve e a Loucura da Verdade"), realizada pelo artista israelense Dror Feiler, em que há uma foto da mulher-bomba Hanadi Jaradat. "Para mim, é intolerável. Não era uma obra de arte, era uma aberração", afirmou Mazel. Segundo o diretor do museu, Kristian Berg, o embaixador ficou "louco" ao ver a obra. O governo sueco vai pedir explicações ao diplomata.
No fim das contas, isso tudo me lembra um clássico quote do século XX, que pode parecer inapropriado para uma hora dessas (hm, na verdade é inapropriado 100% das vezes, então não usem, crianças), mas a associação foi imediata, desculpem:
"Whenever I hear the word culture, I reach for my revolver."
   - Hermann Goering (1893–1946)
Por partes então:

1) Adorei. A "obra", como a foto acima não me deixa mentir, é um pavor. O que, aliás, é regra em todas as instalações de arte moderna com tendências sócio-políticas (sim: um penico cheio até a borda de mijo com crucifixos boiando, um golfinho empalhado nadando em um aquário de merda, vocês sabem do que eu estou falando) - uma feiúra de doer, com mensagens políticas questionáveis. Então bravo, querido embaixador. Tivesse o mundo mais embaixadores ensandecidos em museus, o mundo teria menos arte ruim para se preocupar.

2) Not so fast! Agora, uma instalação assim num museu nos cafundós teria impacto zero. O xilique do embaixador tem efeito contrário e só faz aumentar a controvérsia. Só não é uma lose-lose situation porque a única pessoa que sai ganhando é a artista, que tem seu momento de glória patrocinado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel.

3) Então. Moderação, moderação, moderação. Dar porrada em artista é mau negócio, mesmo que a dita estivesse merecendo umas correiadas na bunda. Mas uma nota de repúdio na forma de um bem elaborado press-release seria mais eficiente e daria ao evento a importância que ele merece - mínima. Devagar com o andor, que o santo é de barro.

The State Of Our Union Is Strong

Amanhã às 21:00 EST (meia-noite no horário de Brasília, se eu não me engano) tem State Of The Union Address. Para quem não sabe, essa é a hora em que o presidente americano vai ao congresso e diz que está tudo sob controle e que ele, basicamente, tem a manha total dessa parada de ser presidente.

Para nós pode ser uma oportunidade excelente para encher o latão. Cheers!

Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

Ceió mostrando sua infinita sapiência no messenger, no meio da tarde de sexta.

"O mundo é assim:
1) as roupas não se lavam sozinhas
2) as lâmpadas não se trocam sozinhas
3) as mulheres gatas não dão pra vc
4) as ex casam
5) you die"

Large buttocks are pleasing to me, nor am I able to lie concerning this matter

As pessoas com muito tempo livre disponível são perigosas. Mas às vezes, grandes avanços para a humanidade são executados por pessoas assim. Por exemplo, veja só: a letra do clássico de Sir Mix-a-Lot, Baby Got Back, em latim (parte 1, parte 2) e em grego. Imperdível.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2004

Vingança Entre Nerds

How To Wrap Your Friends Apartment In Tin Foil Last Thursday, a headline skittered across the Associated Press newswire, boasting to the world: "Man's apartment encased in aluminum foil." The dateline was Olympia, Washington and the story concerned a man who spent New Year's Eve covering his best friend's apartment entirely in tin foil.

Um dia você chega em casa, e ela está toda embrulhada em papel alumínio. Toda. Seu computador. A geladeira. A privada. Seus livros - individualmente, exceto um. Tudo. Imperdível.

Apple's Unlikely Guardian Angel While plenty of other companies, friend and foe alike, abandoned the Mac platform, one firm's support never wavered. And when other companies failed to make products compatible with Macs, this software maker frequently made sure it shipped cross-platform products. In fact, without the backing of this firm, Apple likely would have died. Who is Apple's guardian angel? It's the firm that Mac users most love to hate, the bogeyman of the Mac universe, the one company whose products some Mac fans refuse to use on principle: Microsoft.

Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

Survival of the fittest Benny Morris says he was always a Zionist. People were mistaken when they labeled him a post-Zionist, when they thought that his historical study on the birth of the Palestinian refugee problem was intended to undercut the Zionist enterprise. Nonsense, Morris says, that's completely unfounded. Some readers simply misread the book. They didn't read it with the same detachment, the same moral neutrality, with which it was written. So they came to the mistaken conclusion that when Morris describes the cruelest deeds that the Zionist movement perpetrated in 1948 he is actually being condemnatory, that when he describes the large-scale expulsion operations he is being denunciatory. They did not conceive that the great documenter of the sins of Zionism in fact identifies with those sins. That he thinks some of them, at least, were unavoidable.

The Uncanny Valley

Roger Ebert, neste Q&A, falando sobre a atuação de Andy Serkis como Gollum/Smeagol em O Senhor dos Anéis, e como ela, junto com a técnica dos efeitos especiais, driblou um efeito psicológico interessantíssimo.

(...) Animation and robot theorists talk about a strange phenomenon that happens when artificial characters begin to seem "too real." This is the Uncanny Valley Effect, named in 1978 by the Japanese robot scientist Masahiro Mori.

According to a New Yorker article by John Seabrook, "Mori tested people's emotional responses to a wide variety of robots, from non-humanoid to completely humanoid. He found that the human tendency to empathize with machines increases as the robot becomes more human. But at a certain point, when the robot becomes too human, the emotional sympathy abruptly ceases, and revulsion takes its place. People began to notice not the charmingly human characteristics of the robot but the creepy zombielike differences." A definition on the Word Spy Web site gives more examples.
Mais sobre o Uncanny Valley Effect nesse excelente artigo.

Segunda-feira, Janeiro 12, 2004

Genetic Sexual Attraction, uma condição que surge quando parentes de primeiro grau separados na infância se reúnem, é daquelas coisas sobre os homens e mulheres que te faz ver que há mais coisas entre o céu e a terra etc. etc.; mas não de uma maneira mística ou esotérica, mas como uma surpresa que se tem ao abrir o capô e ver que o mecanismo é muito mais complexo do que aparenta à primeira vista. Já foi discutido no Metafilter duas vezes, aqui e aqui.

Nota: O efeito contrário, que torna irmãos criados juntos praticamente refratários ao desejo sexual mútuo é chamado de Efeito de Westermarck, descoberto pelo sociólogo Edward Westermarck. É a lâmina de Occam para a teoria da sexualidade de Freud. Não me perguntem quem está certo - não faço a mais pálida idéia.

Olha Aí Cuba Lançando

Cuba cracks down on internet use A new law has been passed in Cuba which will make access to the internet more difficult for Cubans. Only those authorised to use the internet from home like civil servants, party officials and doctors will be able to do so on a regular phone line.

Mas quem precisa de internet em um paraíso dos trabalhadores, onde o povo não passa fome e tem escola e saúde gratuita para todo mundo, né gente? Afinal de contas, a gente tem que escolher nesse mundo - uma coisa ou outra. E o que é melhor, nosso glorioso presidente, fã ardoroso do Comandante-en-Jefe, já falou onde onde seu coração está, na eventualidade de uma escolha.

Sexta-feira, Janeiro 09, 2004

Grindergirl, I Love You!

YOU JUST CAN'T STOP WATCHING!

“It’s unusual, it’s odd, it’s perplexing and it’s wrong...but you can't stop watching!” -- David Letterman

“I’ve never seen anything like that ...in all my years in Vaudeville I have never... that's amazing...can we see a little more!?” -- Paul Shaffer

Não sei se vocês tem o costume de assistir ao Late Show do David Letterman, eu tenho (once in a while). Bem, já faz algum tempo ele adicionou um personagem ao seu cast - uma graciosa criatura armada de uma power-tool. Grindergirl, sempre acompanhada de uma chuva de faíscas e um barulho infernal, é chamada ao palco quando alguém precisa executar uma tarefa que precisa de concentração, ou quiçá para fazer uma transição temática no programa. Tipo um Deus Ex Machina: depois que ela aparece, tudo passa a ser aceitável. Maravilhosa, maravilhosa. Deixo aqui minha homenagem.

Quinta-feira, Janeiro 08, 2004

Why I Fucking Hate Weblogs! Weblogs suck ass. What the fuck is up with this shit? Fuck. Who the fuck cares what these people think about oatmeal or what the UN did last week? Nobody! Who reads these weblogs? Nobody! Maybe fellow weblog authors read each others weblogs out of a sense of desperation...the feeling that if they read someone else's weblog, someone will read theirs. It's kindof like cooperative advertising too, people will cross-post, linking weblog entries to each other's weblogs. How fucking pathetic is that? I hate weblogs.

Não poderia concordar mais. Tem um blog? Costuma ler blogs? Odeia blogs? Não sabe o que é um blog? Foda-se. De um jeito ou de outro, vai lá e lê esse manifesto-tese-desabafo. E se você tem seu próprio blog, faça como ele recomenda e eu faço abaixo - coloque esse Statement of Audience em seu blog, que abaixo eu publico em versã bilingue (ainda me dei ao trabalho de traduzir para o português). Vamos lá amigão. Você sabe que você precisa. O remédio é amargo mas é bom. Reality check e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.


Statement of Audience

I realize that nothing I say matters to anyone else on the entire planet. My opinions are useless and unfocused. I am an expert in nothing. I know nothing. I am confused about almost everything. I cannot, as an individual, ever possibly know everything, or even enough to make editorial commentary on the vast vast majority of things that exist in my world. This is a stupid document; it is meaningless drivel that I do not expect any of the several billion people on my planet to actually read. People who do read my rambling, incoherent dumbfuckery are probably just as confused as I am, if not moreso, as they are looking to my sorry ass for an opinion when they should be outside playing Frisbee with their dog or screwing their life partner or getting a dog or getting a life partner. Anyone who actually takes the time to read my bullshit probably deserves to ingest my fucked up and obviously mistaken opinions on whatever it is that I have written about.

Declaração de Audiência

Reconheço que ninguém, em todo o planeta, se importa com o que eu digo. Minhas opiniões são inúteis e sem foco. E não sou especialista em nada. Eu não conheço nada. Eu me confundo a respeito de praticamente tudo. É impossível que eu, como indivíduo, saiba tudo, ou pelo menos o suficiente para escrever notas e comentários sobre a vasta vasta maioria de coisas que existem no mundo. Este é um documento imbecil; é um blá-blá-blá sem sentido que eu não espero que nenhum dos vários bilhões de indivíduos do planeta leiam. Pessoas que efetivamente lêem minha babaquice incoerente e prolixa são provavelmente tão confusas quanto eu, senão mais, porque estão procurando esta figura patética atrás de opiniões quando deveriam estar ao ar-livre, jogando frisbee com seu cachorro ou trepando com sua cara-metade ou comprando um cachorro ou correndo atrás de uma cara-metade. Qualquer um que perde seu tempo lendo minhas merdas provavelmente merece ingerir minhas opiniões escrotas e obviamente enganadas sobre qualquer que seja o assunto que eu tenha escrito a respeito.

Signed / Assinado: Bernardo Carvalho
Copie o texto acima, assine e publique no seu blog. Pode evitar uma série de mal-entendidos. Ah, o alívio. O peso que se levanta do meu peito, meu Deus.

Quarta-feira, Janeiro 07, 2004

I'm Just Like Putty in Your Hands

If a wave of your hand I'm your slave to command

Muito tempo sem falar de música por aqui (além da ocasional letra de música críptica), então só aproveito para comunicar a maneira obsessiva que eu tenho ouvido "Putty (In Your Hands)" do Detroit Cobras no últimos meses. Claro que eu tenho que agradecer ao Gustavo Santos também, óbvio, que me aplicou na banda e ainda gravou um CDzinho para moi.

Anyway, o CD é Rock and Roll 101, e no meio das faixas básicas e divertidas, você acha essa música, que é uma das melhores (e mais sexies) love songs da história. Cantada na voz e na pessoa dessa vocalista dos sonhos de qualquer adolescente (veja foto acima se você duvida), é perfeita. Não achei a letra na web, mas transcrevo abaixo. Tô transcrevendo de ouvido, então caveat emptor.

Putty (In Your Hands) -- Detroit Cobras

You say hop, and I hop
You say stop, and I stop
You say jump, and I jump

Anything you say
I'm like a hunk of clay
I'm just like putty
Putty in your hands, baby

With a wave of your hand
I'm your slave to command
And I'll go on this way

Anything you say
I'm like a hunk of clay
I'm just like putty
Putty in your hands, baby

You can stretch me till I'm ten feet tall
Or roll me down to the size of a rubber ball
You can use me, abuse me, but don't refuse me
Without your love I ain't got nothing at all

They say I'm a fool (putty, putty)
Cos you treat me so cool (putty, putty)
But I'll go on this way

Till my dying day
I'm like a hunk of clay
I'm just like putty
Putty in your hands, baby

Which side of the road do they drive on? Tudo o que você sempre quis saber sobre mãos e contra-mãos de trânsito, quem dirige na direita e quem dirige na esquerda e muito mais. Curiosíssimo e super completo.

Terça-feira, Janeiro 06, 2004

Pensamento do Dia: "Just because swans mate for life, I don't think it's that big of a deal. First of all, if you're a swan, you're probably not going to find a swan that looks that much better than the one you've got so why not mate for life." -- Jack Handey

I (Heart) Paris Hilton

This is Paris Hilton. Not the one you are thinking about.

Tava aqui limpando spam da minha caixa postal e pensei numa coisa - no caso da Pamela Anderson falaram isso e eu não acreditei, mas se me contarem que o Paris Hilton Sex Video foi uma estratégia de marketing eu acredito piamente. Porque antes do fato eu nunca tinha ouvido falar no nome dessa piranha e agora ela está all over the place. E por falar nisso: todo mundo já viu? Eu vi logo no começo do frenesi. Bem legal, já paguei para ver pornôs piores. Vale o download.

Não sei no blog de quem trombei neste excelente ensaio. Leia, leia, leia.

What You Can't Say
Paul Graham

No one gets in trouble for saying that 2 + 2 is 5, or that people in Pittsburgh are ten feet tall. Such obviously false statements might be treated as jokes, or at worst as evidence of insanity, but they are not likely to make anyone mad. The statements that make people mad are the ones they worry might be believed. I suspect the statements that make people maddest are those they worry might be true.

These 9 drawings were done by an artist under the influence of LSD -- part of a test conducted by the US government during it's dalliance with psychotomimetic drugs in the late 1950's. The artist was given a dose of LSD 25 and free access to an activity box full of crayons and pencils

Segunda-feira, Janeiro 05, 2004

Saiu um artigo hoje na Folha que é pra ler, ler, ler, ler e reler antes de estender a mão para ajudar alguém e não cometer uma emenda pior que o soneto. É um retrato perfeito do mindset da "esquerda A/B" brasileira, aqueles que, como dizia Jello Biafra:

"play ethnicky jazz to parade your snazz
on your five grand stereo
bragging that you know how the niggers feel cold
and the slums got so much soul"


E, encantados pelo zeitgeist elegeram o Lulinha Paz e Amor, o homem do povo, com seus discursos sentimentalóides e suas metáforas de normalista. E ai, para usar mais metáforas básicas, o sapo vira príncipe, o rei desfila pelado, e etc. etc. Bem, cala a boca e lê.

Todo mundo gosta de pobre
Vinícius Torres Freire
(Folha de São Paulo, 05/01/2003)

Parece que jamais o cinema nacional ganhou tanto dinheiro tratando de pobres como agora. Agora, toda a gente parece ter uma ONG para dar dinheiro, latinhas usadas, curso de "empreendedorismo", tambores ou professores de arte para os pobres (o que vão fazer da vida tantos pobres artistas e músicos? Trilha musical para arrastão? Bonequinhos de barro das enchentes?).

A maioria das grandes empresas trata de "responsabilidade social" e de "cidadania". O presidente, ex-pobre e ainda pobre de espírito, ama os pobres como filhos, como declarou em um de seus milhares de discursos tediosos e irrelevantes.

Jamais amamos tanto os pobres, e eles estão onde sempre estiveram, humilhados e ofendidos, os párias mais párias do planeta, afora uns quatro buracos do inferno sobre a Terra, uns países da África. Seria isso que Cristo teria querido dizer a Judas naquela passagem esquisita do Evangelho de João, "pois sempre tereis os pobres convosco": uma profecia sobre o Brasil da "responsabilidade social"?

Afora a piada cínica, não é estranha essa efusão de amor do pauperismo? No neocinema nacional, o pobre aparece engraçado, como se figura de cordel e/ou de circo, memórias mais ou menos edulcoradas de zés-ninguéns com quem os diretores de cinema, rapazes de classe média bacana, conviveram em viagens juvenis pelo Nordeste (antes, os pobres eram algo mais feios, sujos e/ou malvados). Os rappers vivem na MTV. Alguns trejeitos, gírias e trapos ("streetfashion") são imitados por meninos de classe média. Mas os pobres continuam a não falar por eles mesmos, ou falam, mas como bobos da corte.

Há tanta perua "cidadã" plena de "responsabilidade social". Tanta moçada que, na ressaca do esquerdismo e do catolicismo, derivou para o onguismo de resultado "social". Mas título de propriedade do barraco na favela, água e banheiros limpos, escola que preste, poder de fato, o que antigamente se chamava de cidadania no sentido correto do termo, isso não tem, não, senhor. Nem mais política para isso tem, se é que já houve.