Say What?
Com teorias que partem de premissas imbecis como "o Brasil tem 65 milhões de crianças carentes", esse livro Holocausto Brasileiro está sendo anunciado em praticamente em todos os aeroportos brasileiros. Perguntei por aí, parece que está na TV e no rádio e em outdoors em grandes cidades também. Fui no site e não entendi lhufas. Uma coisa, porém, fica clara - there's something fishy: Um livro jornalístico mal escrito e um mundo de dinheiro para divulgação. Quais os interesses por trás disso? O prêmio para quem me contar é, como sempre, uma mariola.
Bunker & Durkheim

Eu me lembro de pouquíssima coisa dos primeiros períodos da faculdade, mas não consigo me esquecer do meu professor de sociologia do primeiro período, um fanático por telenovelas da Globo que fumava quatro maços de Galaxy por dia. O conteúdo das aulas em si me escapou, é óbvio, com a exceção de duas ou três coisinhas, entre elas as teorias de Durkheim sobre o crime.
A idéia é de uma simplicidade fenomenal, onde a criminalidade tem um efeito positivo geral na evolução da sociedade, porque 1) nunca se conheceu uma sociedade sem crime, portanto o crime é um fato da vida em grupo e 2) não só isso, mas ao punir aquilo que acha errado, a sociedade está reafirmando seus valores. Contrary to current ideas, the criminal no longer seems a totally unsociable being, a sort of parasitic element...on the contrary, he plays a definite role in social life. Crime, for its part, must no longer be conceived as an evil that cannot be too much suppressed. There is no occasion for self-congratulation when the crime rate drops noticeably below the average level, for we may be certain that this apparent progress is associated with some social disorder.
Então, que nem coca-cola, crime é isso aí, diferente em sociedades diferentes e é uma parte intrínseca do sistema de crenças e valores de qualquer grupo organizado de pessoas (de onde é fácil concluir que o gigantismo da corrupção no estado brasileiro não é um fato isolado mas sim um sintoma daquilo que achamos que é realmente certo e errado).
Anyway. Não deu para não lembrar de Durkheim lendo Cão Come Cão e Nem Os Mais Ferozes de Edward Bunker. Lá está a inevitabilidade da vida criminosa para os personagens, não por terem sido empurrados a ela pela pobreza ou miséria, mas simplesmente porque não sabem ou não querem fazer diferente. E também está a ação dúbia da sociedade que praticamente empurra os protagonistas de volta ao crime nos breves momentos de arrependimento e cansaço da vida bandida. A fatalidade dos acontecimentos é tão gritante que não existe outra interpretação possível - talvez Durkheim estivesse certo, e um personagem, cujo destino é apodrecer na cadeia ou ser assassinado em algum beco escuro, está cumprindo uma clara função social. Sem uma inversão dos julgamentos de valor, porém - o certo continua certo e o errado, errado.
Em uma frase, é o único autor policial que você devia ler na vida. Imperdível.
Blogs!
Poucas coisas são melhores que voltar a um site depois de anos e ver que continua bombando: gapingvoid.com é isso aí. O cartoon acima vale por 10^47 palavras.
E de lá, travei conhecimento com English Cut, o blog de um alfaiate bespoke(aprendi o termo lá) da Savile Row. Parece estranho, mas eu te desafio a passar menos de meia hora lendo os arquivos dele. Todo homem que já leu o seu Júlio Verne e seu Sherlock Holmes já sonhou com um terno bem cortado por um alfaiate inglês. Thomas Mahon conta tudo sobre esse mundinho centenário.
Restore your faith in the Force, this movie will
Episódio III é o melhor filme da série. Sim, de todos os seis. É no mínimo tão bom quanto "O Império Contra-Ataca", só que sem o Mark Hammil. Ou seja: *muito* melhor. A receita - baíxíssimo nível de pela-saquice, pouquíssimo comic relief, dark side of the force comendo solto, e um planeta cheio de wookies.
Vou ver de novo.
Tietagem
"Seu prefeito", disse ele com a voz insegura de quem gostaria de estar dizendo presidente, "posso tirar uma foto com o senhor?"
P.S.: O evento foi o lançamento de Contra o Consenso de Reinaldo Azevedo da Editora Barracuda que um dia ficará conhecida no mercado brasileiro como "the little publishing house that could". Way to go, Mr. Bilyk!